22/10/2019 - Preservação da fertilidadeLeia em 5 minutos

Criopreservação: Preservação da fertilidade em pacientes oncológicos

Imagem de Criopreservação: Preservação da fertilidade em pacientes oncológicos

A radioterapia, quimioterapia e cirurgias utilizadas no tratamento do câncer podem, muitas vezes, levar à infertilidade. Por isso, falar sobre as possibilidades de preservação da fertilidade em pacientes oncológicos após o tratamento da doença pode afetar diretamente no seu bem estar.

Como efeito de conscientização, é fundamental que a sociedade informe-se a respeito do assunto. Tanto pacientes, quanto familiares e médicos oncologistas devem saber que na maior parte dos cânceres podem ser aplicadas estratégias para a preservação da fertilidade.

Oncofertilidade: o que é?

Oncofertilidade é uma especialidade da medicina destinada a preservação da fertilidade em pacientes oncológicos que desejam ter filhos após o tratamento da doença. 

Primeiramente, para que haja sucesso no processo de preservação da fertilidade, recomenda-se a criopreservação. Isto, inclui o congelamento de espermatozoides, óvulos, embriões ou tecido testicular e ovariano, antes de iniciar o tratamento para cura do câncer. 

Assim, dentro do processo, deve-se escolher o método mais adequado, em tempo hábil, sem prejudicar a saúde do paciente e em conjunto com o médico responsável pelo tratamento do câncer.

Os efeitos do tratamento do câncer na preservação da fertilidade em pacientes

Os tratamentos oncológicos mais comuns (quimioterapia e radioterapia) podem causar danos ao tecido ovariano e testicular, com diferentes graus de comprometimento da fertilidade. A radioterapia, por exemplo, mesmo em doses cumulativas baixas pode provocar diminuição dos espermatozóides e em doses mais altas pode provocar danos irreversíveis nos homens.

Assim, após o final do tratamento oncológico, do ponto de vista reprodutivo, pode haver:

Fertilidade normal – Muitos pacientes submetidos ao tratamento de câncer continuam com a função reprodutiva normal e podem conceber naturalmente.

Infertilidade temporária – Algumas mulheres podem ficar sem menstruar e alguns homens podem ficar sem espermatozóides logo após o tratamento de câncer. A fertilidade pode voltar imediatamente ou muitos anos após o término da radioterapia e da quimioterapia. Isso dependerá do tipo de tratamento, da dose da medicação utilizada e da resposta de cada paciente.

Diminuição da fertilidade – Pode acontecer comprometimento das funções hormonal e reprodutiva. A concepção natural fica mais difícil, mas a gravidez pode ser possível com o acompanhamento de especialistas em medicina reprodutiva.

Infertilidade permanente – Alguns pacientes podem ter comprometimento permanente da função ovariana ou testicular após o tratamento oncológico. Muitas vezes, esse dano pode ser minimizado, ou mesmo evitado, se a preservação de fertilidade for aplicada durante o tratamento.

Faixa etária como fator para a preservação da fertilidade em pacientes oncológicos

Os riscos de infertilidade em pacientes com câncer aumentam à medida em que o diagnóstico é realizado em pessoas mais velhas. Isso acontece porque a quimioterapia, por exemplo, pode “envelhecer” o ovário em aproximadamente 10 anos e mulheres com idade superior a 35 anos tendem a ter mais dificuldades para preservar a fertilidade.

Já a preservação da fertilidade em pacientes oncológicos diagnosticados quando crianças ou adolescentes também deve ser avaliada. Bem como, os profissionais de saúde que os acompanham orientarem sobre a possibilidade do congelamento de fragmentos de tecido testicular e ovariano.

Após o tratamento esse tecido poderá ser reimplantado com a possibilidade de resgate de sua função. Embora ainda ser considerado experimental, já existem mais de 60 nascimentos relatados a partir do transplante de tecido ovariano.

Câncer de mama: É possível engravidar após o tratamento?

Sem dúvida, o tempo um fator é precioso para a preservação da fertilidade em pacientes oncológicos, inclusive a mulheres acometidas pelo câncer de mama.

Uma vez que, o encaminhamento ao médico especialista em reprodução humana e os procedimentos de criopreservação (congelamento de óvulos, tecido o ariano ou embriões) devem ser realizados após a cirurgia e antes de um tratamento complementar escolhido no combate ao câncer, como a quimioterapia.  

Preservação da fertilidade em pacientes oncológicos

Em cerca de duas semanas os óvulos são captados e podem permanecer congelados nas clínicas de reprodução assistida até que a mulher seja liberada para engravidar.

Em contrapartida, não é seguro engravidar logo após o tratamento do câncer de mama. Pois, de acordo com especialistas da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), existe uma correlação entre alguns tipos de câncer de mama com os hormônios produzidos pelos ovários, que são elevados durante a gestação. 

Tanto que, quando há a suspeita ou o diagnóstico desse tipo de câncer, evita-se inclusive o uso de substâncias com hormônios como o anticoncepcional, por exemplo. Eventualmente, pode até ser indicado bloquear a produção ovariana de hormônios com medicamentos.

Após o tratamento e passado o período crítico de risco de recidiva, ou seja, do retorno do câncer, a mulher corre menos riscos ao engravidar. 

Prevenção ao câncer de mama – A recomendação é manter um padrão de vida saudável, com alimentação equilibrada e adesão aos exercícios físicos e um acompanhamento regular com o ginecologista. 

Além disso, é muito importante que as mulheres realizem exames clínicos e de diagnóstico por imagem, quando indicado, para que não ocorra a detecção tardia com a doença em estágio avançado.

Escolha da técnica para preservação da fertilidade em pacientes oncológicos

O risco de infertilidade decorrente de tratamentos oncológicos e a estratégia escolhida para cuidar da fertilidade depende do tipo e estágio do câncer, bem como, fatores relacionados às características do paciente. Quanto mais precoce o diagnóstico da doença, maior será a possibilidade de preservação da fertilidade em pacientes oncológicos.

Dentre as opções disponíveis destacam-se a criopreservação de:

  • embriões.
  • óvulos.
  • tecido ovariano.
  • sêmen: consiste no congelamento de sêmen, obtido por masturbação ou por técnicas como biópsia e microdissecção testicular.
  • tecido testicular.

Além dessas opções, existem também a técnica de supressão da função ovariana e transposição ovariana.

Preservação da fertilidade em pacientes oncológicos

Pode haver casos da doença, que dependendo do estágio avançado, tipos mais agressivos e as condições clínicas do paciente, demande o início imediato da quimio ou radioterapia. Em virtude disso, pode ocorrer impossibilidade da preservação da fertilidade em pacientes oncológicos.

Embora nem todos os tratamentos oncológicos podem afetar a fertilidade, a visão multiprofissional é absolutamente essencial neste tipo de paciente. Por isso, é de fundamental importância a interação entre oncologistas, especialistas em reprodução humana e demais profissionais envolvidos nas áreas. São eles que irão determinar ou não, a escolha de uma técnica de preservação a fertilidade .

Veja as principais dúvidas sobre a oncofertilidade 

1 – Como o tratamento contra o câncer afeta a fertilidade? 

As gônadas (ovários e testículos) têm células que estão em fase de divisão celular. As drogas quimioterápicas atuam justamente sobre as células que estão nesse processo, atingindo tanto as cancerígenas, como as saudáveis, no caso as espermatogônias (nos testículos) e os folículos (nos ovários). 

2 – É correto afirmar que nem todos os tumores e tratamentos oncológicos afetam a fertilidade dos pacientes?

Depende muito do tipo histológico e do estado da neoplasia. A idade no momento do tratamento, como a quimioterapia, também é outro fator que pode influenciar na possibilidade de gestação espontânea ou infertilidade.

3 – Quais são os fatores considerados na hora da escolha do tratamento adequado para quem deseja engravidar?

A idade e o desejo reprodutivo seriam uns dos principais fatores a serem avaliados, além do tipo e grau de neoplasia que o paciente está enfrentando. 

4 – Quais são as recomendações para as mulheres que estão vivendo a situação de um câncer de mama?

Para o paciente, o tempo é algo precioso que não pode ser desperdiçado, pois o encaminhamento ao especialista em reprodução humana e os procedimentos de criopreservação devem ser iniciados antes dos procedimentos de combate ao câncer, como a quimioterapia, a radioterapia ou mesmo a cirurgia.

Não encontrou sobre o assunto desejado?

Conte-nos mais sobre o conteúdo que espera encontrar em nosso blog.