11/06/2019 - Reprodução humanaLeia em 15 minutos

Reprodução Humana Assistida: O que é, tratamentos, técnicas e procedimentos

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Reprodução Humana Assistida é o nome dado a tratamentos que podem ajudar um casal a engravidar sem ter relações sexuais. Existe uma grande variedade de tratamentos, e o que mais se adequá a você irá depender de suas próprias circunstâncias. Por isso, a avaliação clínica inicial com um médico especialista em reprodução humana é essencial.

Quais os tratamentos para reprodução humana assistida?

Fertilização in Vitro (FIV)

Diferente dos tratamentos de baixa complexidade, como o coito programado ou a inseminação artificial, a Fertilização in Vitro é uma técnica de alta complexidade, na qual os óvulos da paciente são coletados através da estimulação ovariana. O processo de fertilização acontece em laboratório, onde os óvulos permanecem em cultura por dois a sete dias, até que as primeiras divisões celulares começam a acontecer.

A transferência embrionária é então realizada, selecionando de um a quatro dos embriões gerados. Após a implantação a paciente receberá a prescrição de medicamentos que ajudarão na manutenção da gestação, facilitando a criação de um ambiente uterino favorável.

A fertilização in vitro é indicada nas falhas de inseminações através de técnicas de menor complexidade, endometriose grave, síndrome dos ovários policísticos, Infertilidades Sem Causa Aparente de longa data e quando a paciente está recebendo doação de óvulos.

As taxas de sucesso da fertilização in vitro são bem expressivas, alcançando o sucesso na primeira tentativa em 65% nos casos. No caso de falha na primeira tentativa, uma nova FIV poderá ser realizada logo após um novo ciclo menstrual, não havendo um número limite de tentativas para o procedimento.

Reprodução humana assistida por meio de Inseminação Artificial

A inseminação intrauterina ou, como é mais popularmente conhecida, inseminação artificial é uma técnica de reprodução humana assistida de técnicas de baixa complexidade, usada para a estimulação ovariana.

O procedimento descarta a necessidade de ambiente cirúrgico, podendo ser realizado no próprio consultório médico.

Solução sendo pingada em recipiente

Nesta técnica o sêmen do parceiro ou doador é preparado previamente em laboratório e então introduzido diretamente no interior do útero da paciente. Esse processo visa a maior aproximação possível entre os óvulos e os espermatozóides, deixando que a fecundação ocorra de forma natural nas tubas uterinas.

A taxa de sucesso da inseminação artificial é de aproximadamente 15% a 20% em pacientes abaixo dos 30 anos e de 6,2% para pacientes acima dos 37 anos. Pacientes portadoras de alterações tubárias e endometriose podem também sofrer interferências nas chances de sucesso com esse procedimento.

Coito Programado

O Coito Programado é um procedimento de baixa complexidade, onde a mulher é, primeiramente, submetida à estimulação ovariana e o acompanhamento do crescimento folicular via monitorização ultrassonográfica. Dessa forma, é possível predizer o momento mais correto da ovulação, respeitando-se sempre os limites de segurança.

Calendário de mesa com os dias assinalados

O casal então é orientado a manter relações sexuais no período fértil determinado, de forma que a fertilização ocorra da forma mais natural possível.

O tratamento normalmente é iniciado em torno do segundo ou terceiro dias do ciclo menstrual, considerando-se o primeiro dia de sangramento “vermelho vivo”, com o exame de ultrassonografia. Em seguida, é feita a aplicação da medicação diária por via subcutânea, seguindo a dosagem estabelecida pelo médico responsável.

A partir do sétimo ou oitavo dias de tratamento inicia-se os controles de ultrassonografia em dias alternados ou diários. Assim, vai avaliando-se a resposta ovariana ao estímulo, até o momento em que os folículos estejam prestes a ovular. Na hora certa, induz-se, a ovulação propriamente dita com o uso de medicações injetáveis e programam-se as melhores datas para as relações sexuais.

ICSI – Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides

Agulha injetando em recipiente

A ICSI é indicada em caso de três ou mais falhas na realização da FIV ou quando o parceiro possui fatores inférteis graves, como a produção de poucos espermatozóides saudáveis ou fatores imunológicos seminais.

Esse procedimento consiste na injeção direta de um único espermatozóide selecionado no interior do óvulo, estimulando ao máximo a fecundação. Após fertilizado, o óvulo é levado para cultura e o embrião é implantado no útero seguindo os protocolos convencionais da fertilização in vitro.

A ICSI é indicada também para pacientes acima dos 40 anos, onde os óvulos já apresentam a zona pelúcida mais enrijecida, e casais cujo parceiros realizou vasectomia.

As taxas de sucesso do ICSI são semelhantes às da FIV, dependendo sempre do diagnóstico do casal e dos fatores individuais de cada paciente.

Super-ICSI (IMSI)

Esta técnica é uma variante da ICSI clássica, tendo como principal diferencia a capacidade de aumento de até 6.000 vezes o tamanho real de um espermatozóide, permitindo assim uma avaliação em tempo real, com o espermatozóide móvel.

Mão segurando um recipiente e um conta gotas

Com essa avaliação é então possível selecionar a melhor amostra para injetar no óvulo, garantindo melhores chances de sucesso na fertilização do óvulo e implantação do embrião subsequente.

Transferência de Embrião Descongelado

O congelamento de embriões é indicadas para pacientes que geraram uma quantidade excessiva de pré embriões e desejam guardá-los para futuras tentativas. Assim elimina-se a necessidade de um novo processo de estimulação ovariana.

A técnica também é indicada nos casos em que o endométrio da paciente não esteja com a receptividade adequada para uma implantação. Nesse último caso, os pré-embriões precisam ser preservados até um novo ciclo onde a FIV ou até que outra técnica de reprodução possa ser devidamente realizada.

Tambor aberto com a fumaça de gelo saindo pela boca

Outra indicação para o congelamento de embriões é em situações de risco de Hiperestimulação Ovariana ou alterações endometriais como pólipos e miomas. Nesses casos, os pré-embriões congelados podem permanecer armazenados para uso futuro, permitindo que depois de descongelados, serem transferidos em outro ciclo com preparo adequado da cavidade uterina.

Os pré-embriões podem ser descongelados em vários ciclos, dependendo do número e de seu reaproveitamento. Com boas técnicas, as chances são semelhantes às dos pré-embriões frescos.

Doação de Óvulos

A doação de óvulos pode ser uma opção apresentada nos casos em que a idade ou outras condições físicas impeçam a obtenção de óvulos viáveis da paciente para a fertilização.

Óvulos em tamanho aumentado em várias vezes

Os óvulos são obtidos através de doadoras anônimas, que são mulheres jovens especialmente selecionadas para que não haja risco de transmissão de doenças contagiosas ou alterações genéticas, assim como para prover maior compatibilidade física com o casal ou paciente que estará recebendo a ovodoação.

Após a doação, os óvulos são fertilizados com sêmen do parceiro da receptora através da fertilização in vitro. Na sequência eles são transferidos para o útero da paciente receptora, onde a implantação do embrião e a gestação, se obtida, deverão seguir de forma natural.

No Brasil a ovodoação é obrigatoriamente anônima e sem fins lucrativos e o tempo de espera para encontrar uma doadora compatível dependerá do perfil que a paciente procura.

Doação de Sêmen

A doação de sêmen é uma opção sugerida quando há alterações importantes na qualidade ou quantidade dos gametas masculinos, impossibilitando a fecundação dos óvulos até mesmo com o uso das técnicas de reprodução assistida.

A doação de sêmen ocorre única e exclusivamente através dos bancos de sêmen, onde os doadores passam por exames preventivos para doenças infecto-contagiosas e DSTS. Além disso, é feita a avaliação de fertilidade e investigação do histórico pessoal e familiar, incluindo tendências ao desenvolvimento de doenças genéticas graves.

O anonimato do doador é garantida pela ANVISA e o Conselho Federal de Medicina, incluindo qualquer forma de contato antes ou depois do nascimento do bebê.

Mão colocando um tubo de ensaio em um equipamento de armazenamento

As amostras de sêmen são criopreservadas e selecionadas de acordo com os pacientes receptores, buscando sempre a maior compatibilidade física possível. É realizado então uma fertilização in vitro com a amostra selecionada, onde os óvulos da parceira são fertilizados e implantados no útero, para que então a gestação siga seu curso natural.

Reprodução humana assistida por doação de embriões

A doação de embriões é indicada nos casos em que a infertilidade é compartilhada por ambas as partes do casal, tornando a fertilização, seja por vias naturais ou através de técnicas de reprodução assistida, impossível se ser realizada.

Os embriões são doados são obtidos através de casais que possuem embriões preservados via criogenia, mas não possuem mais intenção de utilizá-los.

Esses embriões disponíveis passam então por uma seleção, de modo que os escolhidos possuam características físicas e biológicas semelhantes às do casal receptor. Nessa seleção o sigilo sobre a identidade dos doadores deve ser sempre mantido.

Mão segurando um tubo de ensaio

A transferência dos embriões selecionados é feita em ambiente de consultório, utilizando-se normalmente os protocolos de uma inseminação artificial, para a implantação.

A taxa de sucesso da doação de embriões varia entre 40 a 60%, dependendo principalmente da qualidade dos embriões após descongelamento e da receptividade do útero e endométrio da paciente receptora.

Útero de Substituição

Útero de substituição ou cessão temporária de útero é o nome dado a prática em que o útero de uma terceira pessoa, necessariamente relacionada ao casal, é utilizado para a implantação dos pré-embriões gerados por FIV ou ICSI com os gametas dos pais biológicos.

Essa técnica é indicada quando a paciente sofre com a ausência de útero próprio, ou possua alguma disfunção que impossibilite a implantação do embrião, e subsequentemente o desenvolvimento de uma gestação. A cessão temporária de útero também pode ser indicada em casos em que a gestação coloque em risco a vida da mãe biológica.

Mulher acariciando a barriga de uma mulher grávida

Podem ser usadas como receptoras parentes de até segundo grau do casal, como irmãs, primas, mãe, tias ou cunhadas. Se a doadora de útero for casada ou estiver em uma união estável, seu companheiro deverá apresentar sua concessão ao procedimento por escrito.

Tendo a receptora escolhida, o casal irá gerar os embriões a serem implantados através da fertilização in vitro, e estes após a maturação serão transferidos útero da receptora, que fará a gestação do bebê de forma natural.

As taxas de sucesso nas gestações por útero de substituição são semelhantes às observadas nos procedimentos de fertilização in vitro e inseminação artificial.

Reprodução humana assistida para casais homoafetivos

Atualmente a medicina de reprodução humana assistida consegue apresentar algumas opções para casais homoafetivos, que tem o sonho de terem filhos de forma biológica, ou não conseguem sucesso através dos processos de adoção.

Para casais homoafetivos femininos, o tratamento aconselhado é a transferência dos embriões formados pelos óvulos de uma das pacientes, ao útero de sua parceira.

Casal de homens homoafetivos segurando uma criança

Nesse procedimento realiza-se a indução da ovulação em uma das parceiras. O óvulo coletado é, em sequência, fertilizado pelo sêmen de um doador anônimo e implantado no útero escolhido, em um procedimento semelhante a inseminação artificial.

Para casais homoafetivos masculinos, a opção disponível é mais complicada, mas ainda assim possível. Para esses casos além da necessidade da ovodoação, para realizar a fecundação com os espermatozóides dos parceiros, também é preciso da disponibilidade de um membro próximo da família para realizar a doação de útero. Assim, o embrião formado através da fertilização in vitro será implantado.

Regulamentação para reprodução humana assistida

Certas formas de reprodução humana assistida (IIU, FIV, ICSI, inseminação de doador e doação de óvulos) são regulamentadas por leis, códigos, resoluções e normas. Muitas vezes procedimentos realizados no exterior não podem ser realizados aqui no Brasil, e vice versa.

Porque a situação da bioética e biossegurança é individual para cada país. Nem toda tecnologia pode ser utilizada em todo caso, existem particularidades e peculiaridades que devem ser levadas em consideração. As sociedades de reprodução humana (Brasileira de Reprodução Humana e Brasileira de Reprodução Assistida) representam a especialidade no Brasil.

Técnicas para tratamentos de Reprodução Humana Assistida

Diagnóstico Genético Pré Implantacional

Conta gotas dentro de um recipiente com uma solução

Diagnóstico Genético Pré-Implantacional ou PGD é um exame complementar ao processo de Fertilização In Vitro, utilizado para identificar nos embriões a existência de doenças genéticas e cromossômicas, antes que estes sejam implantados no útero da mãe.

Assim casais com maior probabilidade de gerar filhos com problemas genéticos, como Síndrome de Down, podem selecionar os embriões mais propensos a essas doenças e não utilizá-los para o procedimento de inseminação.

Criopreservação

Atualmente já é possível oferecer a criopreservação para pré-embriões que tenham boa qualidade e não foram transferidos no ciclo em que foram gerados, como, por exemplo, em caso de número excessivo de pré-embriões ou devido a condições inadequadas da mulher naquele momento.

Tambor refrigerado com fumaça de gelo saindo pela boca

Nessas situações, os pré-embriões congelados podem permanecer armazenados para uso futuro, permitindo que cada uma possa, depois de descongelado, ser transferido em outro ciclo com preparo adequado da cavidade uterina.

Nesse caso não há necessidade de realizar uma nova estimulação ovariana e os pré-embriões podem ser descongelados em vários ciclos, dependendo do número e de seu reaproveitamento. Com boas técnicas, as chances de sucesso de gestação são semelhantes às dos pré-embriões frescos.

Preparação Seminal

A manipulação laboratorial do sêmen é a forma mais eficiente de tratar as alterações seminais, associando-a ou não à indução ovulatória da mulher.

Essa técnica é utilizada quando o paciente não responde de forma positiva ao tratamento clínico-medicamentoso. A obtenção dos espermatozóides é realizada por ejaculação espontânea ou através de procedimentos cirúrgicos como a extração testicular e epididimária. Esse processo é feito sob anestesia após uma abstinência de 3 a 5 dias.

O material obtido é depositado em um recipiente estéril. No laboratório é aspirado uma amostra do sêmen com uma micropipeta, e espalhado sobre uma lâmina de microscópio, onde é avaliado:

  • A concentração de espermatozoides que deve ser superior a 20 Mil./ml
  • A mobilidade espermática que deve ser superior a 50%
  • A morfologia dos espermatozóides

Os espermatozóides de melhor mobilidade são então selecionados, após serem depositados em tubos de ensaios onde as amostras imóveis, o líquido seminal e as células e detritos são separados.

Mesa de laboratório com tubos de ensaio em um suporte e mãos manipulando um instrumento

Através do método de centrifugação os espermatozoides são separados e recuperados com uma pipeta. O volume recuperado e levado para uma segunda centrifugação. Posteriormente, o sobrenadante é descartado, e o sedimento é ressuspendido, a amostra obtida é avaliada por um microscópio e o sêmen é colocado em um novo tubo de ensaio.

Esse sêmen então será levado para a fertilização de forma direta ou indireta, dependendo se o casal optou por inseminação artificial ou fertilização in vitro, respectivamente.

Reprodução humana assistida por estimulação ovariana

A estimulação ovariana é um procedimento que faz parte das técnicas de reprodução assistida de alta complexidade. Através dessa técnica é possível coletar o óvulo, que em seguida será preparado em laboratório para a fertilização in vitro.

O procedimento é feito com o uso do ultrassom vaginal, acoplado a uma agulha.Ambos são introduzidos na vagina e guiados pelo sistema de vídeo. A agulha é atravessada pela a parede vaginal em direção ao ovário e introduzida em um dos folículos presentes no local.

Mãos segurando um teste de gravidez e um calendário desfocado ao fundo

O conteúdo do folículo é aspirado e conduzido através de um circuito fechado até o tubo de ensaio. Este tubo de ensaio será analisado para que seja feita a separação do óvulo do líquido folicular.

Uma vez terminada a aspiração do primeiro folículo, a agulha é introduzida no folículo seguinte e o mesmo é aspirado. Este processo é repetido até que todos os folículos maduros sejam obtidos.

Com este procedimento é possível selecionar o óvulo com maiores chances de sucesso de fertilização.

NGS (Next Generation Sequencing)

O Next Generation Sequencing, ou NGS, é uma das formas de realizar o Diagnóstico Genético Pré-Implantacional (PGD), que torna possível realizar o diagnóstico de alterações genéticas e cromossômicas nos embriões, antes que eles sejam transferidos ao útero da materno.

Tela de um aparelho que mede os batimentos cardíacos

O NGS é feito a partir da análise de células do embrião, e é realizada durante o procedimento de fertilização in vitro, em ambiente laboratorial, antes do embrião ser implantado no útero da paciente.

Essa técnica é especialmente indicada para pacientes de alto risco, como mulheres com idade materna avançada, histórico de abortamento de repetição ou falhas constantes na implantação dos embriões.

Endometrial Receptivity Array (ERA)

O Endometrial Receptivity Array (ERA) é um procedimento usado para potencializar as chances de sucesso da Fertilização In Vitro para pacientes que já passaram por falhas após transferência de três ou mais embriões de boa qualidade, e que o endométrio se apresente normal no exame de ultrassom.

Pessoa manipulando um aparelho injetável em um recipiente

Através do ERA é possível avaliar se o endométrio da paciente é ou não receptivo à implantação, possibilitando ao especialista em reprodução humana determinar o momento mais favorável para a transferência do embrião ao útero, aumentando as taxas de sucesso.

CGH-array

O CGH-array é uma técnica utilizada para avaliar os 24 cromossomos do corpo humano, comparando o material genético extraído das células do embrião com o material padrão normal, para dessa forma poder detectar possíveis alterações genéticas.

Através dessa técnica é possível detectar síndromes sérias no embrião como as de Edwards, e Down. Como esse procedimento o sexo do bebê também pode ser determinado, o que é usado para prevenir as doenças ligadas ao cromossomo X.

PGD por PCR

O Diagnóstico Pré-Implantacional (PGD) é utilizado para detectar alterações na sequência do DNA do embrião, quando o casal ou paciente possuem maior probabilidade de gerar filhos com problemas genéticos específicos, como a Síndrome de Patau ou Síndrome de Down, distrofia muscular e hemofilia.

Reprodução Humana Assistida: O que é, tratamentos, técnicas e procedimentos

Com o PGD é possível descobrir se embrião possui a tendência de desenvolver alguma dessas doenças e não utilizá-lo para o procedimento de fertilização in vitro.

Karyomapping

A técnica de Karyomapping, consiste no mapeamento de doenças genéticas, que consegue identificar e diagnosticar todas essas alterações genéticas conhecidas nos embriões formados em laboratório através da fertilização in vitro.

Reprodução Humana Assistida: O que é, tratamentos, técnicas e procedimentos

O karyomapping é um método atual existente de diagnóstico pré-implantacional mais completo para detecção de doenças e alterações genéticas.

Hatching Assistido

O Hatching Assistido é uma técnica de auxílio à reprodução assistida, onde se facilita a eclosão embrionária, antes que a transferência do embrião ao útero seja realizada.

Gera-se uma pequena abertura na Zona Pelúcida, que envolve o óvulo e se mantém após a fertilização até o momento da implantação.

Reprodução Humana Assistida: O que é, tratamentos, técnicas e procedimentos

O procedimento de Hatching Assistido é feita normalmente entre o terceiro e quinto dias do desenvolvimento embrionário, e a abertura no óvulo pode ser feita através de laser, solução ácida ou dissecção parcial da Zona Pelúcida, dependendo de cada caso e da disposição da paciente.

Essa técnica é especialmente indicada para pacientes com mais de 37 anos, idade em que a zona pelúcida dos óvulos se torna mais rígida e espessa, o que dificulta e, em alguns casos até impossibilita, a entrada do espermatozoide para a fecundação.

O hatching assistido também pode ser usado em óvulos preservados em criogenia, que podem desenvolver uma zona pelúcida mais rígida.

Procedimentos para reprodução humana assistida

PSA/ MESA

Cerca de 30% das causas de infertilidade conjugal são decorrentes exclusivamente de fatores masculinos. Dentre estes fatores, a grande maioria está relacionada com a quantidade e qualidade do sêmen produzido.

A alteração da qualidade seminal pode ser causada por doenças, como a varicocele, e outros fatores como a obstrução nos ductos ejaculatórios, sequelas cirúrgicas, infecções, alterações genéticas e malformações testiculares.

Reprodução Humana Assistida: O que é, tratamentos, técnicas e procedimentos

As técnicas de PSA/ MESA são utilizadas nesses casos, realizando a extração dos espermatozóides por formas alternativas a coleta por ejaculação, para assim poder realizar a fertilização via Inseminação Artificial ou FIV.

Percutaneous Epididymal Sperm Aspiration – PESA: nessa técnica em que se punciona o epidídimo para a obtenção dos espermatozóides. O epidídimo é um pequeno órgão que fica em cima dos testículos e onde os espermatozoides ganham maturidade e capacidade de se movimentarem antes de serem ejaculados.

Microscopic Epididymal Sperm Aspiration – MESA: uma técnica mais complexa, o urologista utiliza um microscópio especial para selecionar os espermatozoides nos epidídimos. É indicado para homens com azoospermia obstrutiva e epidídimos de volume reduzido.

Micro-TESE

Microsurgical Testicular Sperm Extraction ou Micro-TESE é uma técnica de microdissecção usada para extrair os espermatozóides diretamente dos testículos. É um procedimento extremamente delicado, indicado apenas para homens com azoospermia não-obstrutiva que desejam ter filhos com espermatozoides próprios e não do banco de doadores.

Reprodução Humana Assistida: O que é, tratamentos, técnicas e procedimentos

A Micro-TESE é realizada em ambiente cirúrgico, com uso de anestesia geral, e seguido de repouso. Se a cirurgia for realizada sem complicações, é provável que o paciente receba alta no mesmo dia.

Os espermatozóides coletados com sucesso são levados para a incubadora, onde ficarão em cultivo até o momento da fertilização, feita normalmente através da FIV.

Reversão de Vasectomia

Existem duas possibilidades quando o paciente que passou por vasectomia deseja ser pai novamente, ou pela primeira vez.

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A opção mais simples é a realização de uma punção no epidídimo para a coleta dos espermatozóides, seguido da fertilização dos óvulos da parceira através da fertilização in vitro.

A segunda opção é a reversão de vasectomia, uma cirurgia mais complexa que a própria vasectomia em si, onde os ductos deferentes, que transportam os espermatozóides dos testículos para serem ejaculados, são reconectados e os espermatozóides voltam a ser ejaculados naturalmente.

É procedimento de qualidade microscópica que pode levar em média duas horas para ser realizado, e é obrigatoriamente feito em ambiente cirúrgico hospitalar com anestesia.

Reversão de Laqueadura

Quando a paciente que passou pela cirurgia de laqueadura deseja ser mãe novamente, duas opções possíveis podem ser apresentadas pelo especialista, que poderão ser utilizadas de acordo com as expectativas e disponibilidade do casal.

A opção mais simples, e possivelmente mais eficaz, é a realização da fertilização in vitro, onde os óvulos femininos, juntamente com as amostras de sêmen do parceiro, serão coletados e posteriormente fertilizados em laboratório, para então o embrião formado ser implantado no útero materno.

Reprodução Humana Assistida: O que é, tratamentos, técnicas e procedimentos

Se, independente do motivo, a paciente preferir a reversão da laqueadura ao invés da FIV, é importante que seja esclarecida a natureza extremamente delicada deste procedimento, que demanda alta precisão.

O procedimento cirúrgico é realizado por através da videolaparoscopia ou, em casos especiais onde a tecnologia está disponível, cirurgia robótica. O religamento das trompas é feito de forma milimétrica e as taxas de sucesso podem variar, dependendo principalmente de como a laqueadura foi realizada em primeiro lugar.

Correção da Varicocele

A varicocele atinge cerca de 15% da população masculina e é considerada a causa mais comum de infertilidade masculina, encontrada em 30-40% dos casos em que o paciente apresenta problemas em conceber o primeiro filho, e 60% dos que tentam ser pais pela segunda vez.

A cirurgia para a correção da varicocele é, necessariamente, feita em ambiente hospitalar, com uso de anestesia geral ou raquidiana, tendo, aproximadamente, duas horas de duração. Quando o procedimento ocorre dentro do previsto, o paciente comumente recebe a alta de 12 à 24 horas após a saída do centro cirúrgico.

Reprodução Humana Assistida: O que é, tratamentos, técnicas e procedimentos

A aparição efetiva de resultados costuma acontecer de seis a oito meses após a realização da cirurgia, sendo normal os primeiros exames não exibirem melhoras significativas. Em médias, os pacientes conseguem obter a gravidez após nove meses da cirurgia.

Conclusão

Conforme foi apresentado, a reprodução humana assistida engloba muitos tratamentos, técnicas e procedimentos para se alcançar o objetivo principal, a gravidez, nos casos de infertilidade. Para o sucesso dos tratamentos, o casal deve realizar a primeira consulta e o acompanhamento com um médico especialista na área.

Porém, antes do homem ou a mulher serem diagnosticados com infertilidade e optarem por algum tratamento de reprodução humana assistida, é interessante que o casal discuta o melhor momento de engravidar e o cenário da fertilidade. Descubra as diferenças de engravidar aos 20, 30 e 40 anos.

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