11/06/2019 - InfertilidadeLeia em 9 minutos

Infertilidade: O que é, causas, sintomas e tratamentos

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O que é Infertilidade?

Para definirmos o que é infertilidade, antes precisamos compreender que a fertilidade do ser humano é relativamente baixa, sendo que as chances de um casal engravidar é cerca de 20% ao mês. Portanto, é comum haver um tempo de espera entre o início das tentativas de engravidar e a gestação.

A infertilidade não é um problema raro e atinge cerca de que 15% dos casais. Sendo que, define-se como infertilidade conjugal a ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de método anticoncepcional. Atingindo esse limite de tempo, o casal deve procurar orientação médica de um especialista para uma avaliação adequada.

Porém, há casos em que esse limite é menor, por exemplo, quando a mulher tem 35 anos ou mais, o tempo limite cai para 6 meses de tentativa. Outros casos são: menstruações irregulares, Síndrome dos Ovários Policísticos, endometriose, infecção pélvica prévia, gestação ectópica anterior, laqueadura tubárea ou vasectomia.

Causas

A etapas do processo reprodutivo precisam estar em perfeito funcionamento para ocorrer a gravidez. As principais fases são a ovulação, a captação do óvulo pela tuba, a fertilização deste pelo espermatozóide e, por fim, a implantação do embrião formado no útero.

Portanto, as principais causas de infertilidade são:

Mulher

  • Problemas na ovulação (fator ovulatório)
  • Alterações tubárias (fator tubário)
  • Alterações no útero (fator uterino)
  • Endometriose
Casal sentado no sofá com expressão de preocupado com a infertilidade

Homem

Problemas na formação, no transporte ou na ejaculação dos espermatozóides.

Ressalta-se que 10% dos casais não apresentam uma causa clara para explicar a infertilidade, mesmo após investigação completa (infertilidade sem causa aparente).

Em contrapartida, cerca de 20% dos casais apresentam problemas tanto na mulher como no homem, o que explica a importância de sempre investigar ambos. Abaixo, vamos explicar em detalhes cada um destes fatores.

Fatores da infertilidade feminina

Mulheres que não ovulam adequadamente apresentam menstruações irregulares, associadas, em alguns casos, ao aumento de pelos e acne. Esta última situação é tipicamente encontrada em mulheres com a Síndrome dos Ovários Policísticos (falta de ovulação e ovários com múltiplos microcistos).

Mulher grávida fazendo ultrassom com médica no tratamento de infertilidade

Outras doenças também podem estar envolvidas nas causas da infertilidade feminina, como tumores produtores de prolactina, hipotireoidismo, tumores produtores de androgênios e deficiências enzimáticas raras.

A redução da quantidade e da qualidade dos óvulos também é uma causa relevante de dificuldade de engravidar, principalmente nos dias atuais, quando a gravidez é cada vez mais adiada, este problema é extremamente importante.

Essa redução está diretamente relacionada à idade da mulher, pois os óvulos, ao contrário dos espermatozóides, não se multiplicam e se esgotam.

Alterações tubárias

Após a fertilização, o encontro do espermatozóide com o óvulo, na tuba, o embrião é formado e transportado até o útero. Esta etapa depende do perfeito funcionamento das tubas, órgãos extremamente delicados.

Podem ocorrer alterações tubárias como na obstrução bilateral de forma mais evidente, ou mais sutis, com aderências e distorções. Estas alterações são secundárias a processos inflamatórios/infecciosos ou a endometriose.

No útero, ocorrerá a implantação do embrião. Os problemas mais comuns que podem afetar esta etapa são a presença de miomas, pólipos, malformações uterinas e aderências (ou sinéquias uterinas). São causas menos comuns de infertilidade.

Endometriose

A endometriose é outra causa de infertilidade feminina cada vez mais relevante. A doença é caracterizada pelo desenvolvimento do endométrio fora do útero, que é o revestimento interno do útero e o lugar onde ocorre a implantação do embrião. Quando não há gravidez, o endométrio descama-se, ocorrendo a menstruação.

Mulher deitada no sofá com endometriose causa infertilidade

As principais características da endometriose são a infertilidade e a dor, que geralmente ocorre na menstruação e/ou na relação sexual. Os órgãos geralmente acometidos pela doença são os ovários, as tubas e o peritônio (revestimento interno do abdome), mas também podem atingir o intestino, o ureter e a bexiga.

Fatores da infertilidade masculina

Toda a investigação para determinar um caso de infertilidade masculina, começa-se pelo sistema reprodutor masculino responsável de produzir e transportar os espermatozóides. No caso de alterações, esse sistema pode reduzir a quantidade, a movimentação, a forma e a capacidade de fertilização dos espermatozóides.

Problemas como varicocele, processos infecciosos, exposição a toxinas, fatores genéticos, alterações hormonais e obstrução dos ductos de transporte podem explicar a infertilidade masculina. Mesmo assim, boa parte dos homens com alteração no sêmen não tem qualquer motivo identificável que a justifique.

Principais causas

A varicocele é a presença de varizes nas veias do testículo. É comum muitos homens terem algum grau de varicocele. Mas quando as veias são visíveis no exame clínico, a problema resulta na elevação da temperatura e acúmulo de substâncias tóxicas na região, prejudicando a produção de espermatozóides. Outros sintomas do grau mais preocupante são a sensação de peso e dor na região.

As infecções causam inflamação que pode prejudicar a produção de espermatozóides e/ou aumentar o estresse oxidativo a qual estão submetidos.

Os medicamentos usados em quimioterapia, radiação, calor ou hormônios exógenos, são as principais toxinas que podem implicar temporária ou definitivamente a produção de espermatozóides.

Mão de paciente oncológico com infertilidade ligada a uma sonda de um aparelho

As alterações genéticas também podem explicar a insuficiência testicular, sendo necessárias investigá-las quando há uma redução considerável no número de espermatozóides.

Por fim, a principal causa de obstrução dos ductos transportadores é a vasectomia, ou ligadura os ductos deferentes para anticoncepção.

Fatores de risco

Baseada nos principais fatores da infertilidade, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva estabeleceu quatro cuidados principais:

Idade: não deixar para engravidar tarde

Doenças sexualmente transmissíveis: prevenir e tratar rapidamente

Peso: evitar baixo peso ou obesidade

Tabagismo: parar de fumar, pois o cigarro reduz a fertilidade.

Diagnóstico e Exames

Diagnóstico de Infertilidade

Para chegar a um diagnóstico de infertilidade conjugal começa-se uma investigação com o casal de forma objetiva e direcionada às principais causas de  infertilidade

Na mulher os testes básicos são a avaliação da ovulação (história menstrual e dosagens de hormônios), o estudo das tubas (histerossalpingografia) e avaliação do útero (ultrassonografia transvaginal). O diagnóstico de endometriose, quando há suspeita, envolve exames de sangue e de imagem (ultrassonografia com preparo intestinal).

Somente quando necessário, o médico especialista pode excluir testes mais avançados como a ressonância magnética, a laparoscopia, a histeroscopia e a avaliação genética.

Casal conversando sobre infertilidade com um médico olhando um laptop

No homem avalia-se a produção de espermatozóides através da análise do sêmen no exame espermograma observando o volume do sêmen, o número, a concentração, a movimentação (motilidade) e a forma (morfologia) dos espermatozóides e a presença de inflamação.

Quando indicado, é solicitado outros exames como dosagens hormonais, ultrassonografia da região pélvica, biópsia testicular e estudos genéticos do homem, dentre outros.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Infertilidade

Antes de pensar em qualquer tratamento de reprodução humana, existem cuidados fundamentais a qualquer casal que deseja engravidar. O primeiro momento é procurar um médico especialista de referência para solicitar exames ante-natais, como sorologias para HIV, hepatite B e C, sífilis e rubéola.

Além disso, é universalmente indicada a suplementação com ácido fólico para mulher no intuito de reduzir o risco de algumas malformações. Já em relação a fertilidade, deve-se orientar o casal a manter um peso adequado, hábitos saudáveis de vida e, em caso de tabagismo, tentar parar.

Após a investigação da causa da infertilidade, inicia-se, se assim indicado, o tratamento adequado, que pode ser feito através de cirurgias ou de procedimentos clínicos. A nomenclatura dos procedimentos usados no tratamento do casal infértil varia de acordo com cada serviço ou Sociedade Médica.

Casal com expressão de chateado com sintomas de infertilidade

Para fins didáticos, consideramos que as técnicas de reprodução humana incluem: a relação sexual programada (coito programado), a inseminação intra-uterina e a FIV. Em muitos casos, existe mais de uma opção de tratamento, que serão determinados pelos fatores de: idade da mulher, tempo de infertilidade, fatores associados e desejo do casal.

Tratamento Cirúrgico

A opção de tratamento cirúrgico é indicado em algumas causas de infertilidade, como por exemplo, os miomas, os pólipos ou as malformações uterinas, as alterações tubárias corrigíveis e a endometriose. Porém, atualmente, dá-se preferência aos procedimentos minimamente invasivos, como a laparoscopia e a histeroscopia.

No caso do homem, pode-se considerar o tratamento cirúrgico para varicocele ou a reversão da vasectomia. Além disso, quando não há espermatozóides no sêmen ejaculado (azoospermia), podem ser necessários outros procedimentos cirúrgicos para a retirada dos espermatozóides do testículo (punção do testículo ou microdissecção do testículo) ou do epidídimo.

Relação sexual programada (Coito programado)

A relação sexual programada é indicada para a mulher que tem problemas na ovulação. É o tratamento mais simples em reprodução humana. O primeiro passo é a indução da ovulação, que é feita com medicações via oral ou aplicadas por injeções subcutâneas.

Mulher anotando no calendário para tratamento de infertilidade

Neste período, o crescimento dos folículos ovarianos (cada folículo contém um óvulo) é controlado por exames de ultrassom. Desta forma, quando os folículos atingem um tamanho adequado, aplica-se uma última medicação, que começa a ovulação propriamente dita. Nesse momento, as relações sexuais são programadas e o teste de gravidez é providenciado após 14 dias.

A chance de gravidez com este tratamento é em torno de 15% por ciclo (ou tentativa). Apesar de parecer limitado, é preciso lembrar que é um tratamento simples e que praticamente iguala a chance de engravidar a um casal infértil a de um casal fértil.

Inseminação intra-uterina

O procedimento de inseminação intra-uterina é indicado para o casal em que o homem tem uma alteração leve a moderada do sêmen. Também pode ser usada em casos em que não se encontra o fator da infertilidade (infertilidade sem causa aparente) ou quando há alterações leves.

É um tratamento intermediário em reprodução humana. A indução da ovulação é feita de maneira semelhante a relação sexual programada. No entanto, ao invés da relação sexual propriamente dita, faz-se a injeção do sêmen processado dentro do útero da mulher, utilizando-se um catéter delicado.

O processamento seminal tem como objetivo separar os espermatozóides com melhor mobilidade, e então o teste de gravidez é feito após 14 dias. A chance de gravidez com este tratamento é em torno de 15 a 20% por ciclo (ou tentativa). Novamente, é semelhante a chance por ciclo de um casal sem alterações.

Fertilização in vitro (FIV)

A Fertilização in Vitro (FIV) é indicada para inúmeros problemas críticos que levam a infertilidade conjugal, como alterações tubárias, endometriose, baixa qualidade dos óvulos e alteração importante do sêmen.

Médica olhando por um microscópio exames de infertilidade

A FIV é um tratamento de alta tecnologia em reprodução humana. Ele consiste nas etapas de: indução da ovulação, captação dos óvulos, coleta dos espermatozóides, fertilização no laboratório e transferência dos embriões.

A indução da ovulação também é realizada de maneira semelhante a relação sexual programada. No entanto, utiliza-se preferencialmente medicações injetadas por via subcutânea e em doses maiores, para produzir um número maior de óvulos.

Procedimento para infertilidade

No momento em que os folículos atingem um tamanho ideal, visto ultrassonograficamente, aplica-se a última medicação, iniciando o amadurecimento dos óvulos. Em média, esta etapa dura em torno de 10 dias e a captação dos óvulos é realizada 35 horas após a última medicação.

É feita através da punção de cada folículo com uma agulha fina por via transvaginal. Todo o procedimento é realizado sob visão ultrassonográfica e anestesia. A coleta dos espermatozóides é obtida por meio de masturbação, no mesmo dia da captação.

Quando não há espermatozóides no sêmen ejaculado (azoospermia), podem ser precisos outros procedimentos para a obtenção dos espermatozóides, como por exemplos, PESA, MESA ou TESE (punção do testículo ou do epidídimo).

Mesa com vários tubos de teste de infertilidade e uma mão injetando uma solução dentro de um tubo de ensaio

No laboratório, os óvulos captados são fertilizados pelos espermatozóides, formando os embriões. Atualmente, na maioria dos casos a fertilização é feita através da injeção do espermatozóide diretamente dentro do óvulo (ICSI). Os embriões se desenvolvem no laboratório por 3 a 5 dias.

Após este período, eles são transferidos para dentro do útero da mulher por meio de um procedimento com um catéter delicado e não há necessidade de anestesia. O teste de gravidez é feito após 9 a 11 dias. A FIV o oferece uma chance de gravidez em torno de 40%

Riscos durante o tratamento

Há alguns riscos associados a este tratamento. O mais comum deles é a gestação múltipla, que está associada a índices mais elevados de abortamentos, prematuridade e recém-nascidos de baixo peso.

O acometimento da Síndrome de Hiperestimulação Ovariana é rara e pode decorrer das medicações hormonais usadas na indução da ovulação. A situação é característica de uma resposta exagerada às drogas indutoras, que pode levar a dor abdominal, edema e retenção de líquidos.

Médico conversando com um casal preocupado sobre sintomas de infertilidade

Em casos extremos há necessidade de interromper o tratamento e, até mesmo, de cuidados hospitalares. Outras complicações são: sangramentos após a punção ovariana, infecção pós-punção e torção de ovário.

Medicamentos para Infertilidade

É importantíssimo deixar claro, que nos casos de tratamento de infertilidade conjugal, nunca deve ocorrer a auto-medicação em hipótese alguma. Somente um médico especialista pode dizer qual o medicamento mais indicado para cada caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Todas as orientação devem ser sempre levadas à risca.

Também é muito essencial não interrompa o uso do medicamento sem consultar o médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, a recomendação é seguir as instruções na bula.

Reprodução Humana Assistida

Quando diagnosticado a infertilidade conjugal, o casal deve iniciar o processo de exames e assim iniciar o tratamento de reprodução humana assistida mais adequado ao diagnóstico.Confira o nosso próximo artigo, e entenda tudo sobre os tratamentos, técnicas e procedimentos para reprodução humana assistida.

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